ANÁLISE: Acordo ou rasteira? A disputa pela ALPB começa a tensionar a base governista

 A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa da Paraíba começou a revelar uma tensão silenciosa, mas cada vez mais evidente, dentro da própria base governista. De um lado, o Republicanos afirma que existe um acordo para comandar a Casa nos dois biênios da próxima legislatura. Do outro, o PP, partido do governador Lucas Ribeiro, mantém silêncio público, enquanto um nome ligado ao núcleo duro de Aguinaldo Ribeiro se movimenta fortemente nos bastidores.

Pelo desenho defendido pelo Republicanos, Wilson Filho seria o presidente da ALPB no primeiro biênio. No segundo, a cadeira voltaria para Adriano Galdino, atual presidente da Casa e principal fiador desse entendimento dentro do partido. Essa versão já foi dita publicamente por Adriano e também sustentada por Wilson.

O problema é que, enquanto o Republicanos fala em acordo, a cúpula do PP evita confirmar. Também não nega. E, em política, silêncio quase nunca é apenas silêncio.

Nos bastidores, o deputado Eduardo Carneiro, do PP, já trabalha forte em busca de votos para presidir a Assembleia. Ele não é um nome solto no tabuleiro. É deputado do núcleo de confiança de Aguinaldo Ribeiro, o que dá à movimentação um peso muito maior. Não parece gesto isolado. Parece articulação.

A fala de Júnior Araújo, também do PP, jogou ainda mais combustível nessa disputa. Ao dizer que, se o Republicanos quiser indicar o vice, deveria abrir mão da presidência da Assembleia, ele verbalizou uma tese que pode estar circulando com mais força dentro do partido: a de que o Republicanos não pode ficar com tudo.

No dia seguinte, Hugo Motta foi provocado sobre o assunto, se irritou e preferiu não comentar. A reação diz muito. O Republicanos sabe que, sem uma fala clara de Lucas Ribeiro ou de Aguinaldo Ribeiro confirmando o acordo, a promessa fica no campo da palavra empenhada por apenas um lado.

E aí está o ponto central: o acordo com o Republicanos será cumprido ou o PP vai tentar redesenhar o jogo depois das urnas?

A pergunta é dura, mas inevitável. Se o Republicanos abriu mão de espaços importantes no processo eleitoral — incluindo a retirada da pré-candidatura de Adriano Galdino ao Governo do Estado para viabilizar o acordo em torno da candidatura governista — e embarcou no projeto de Lucas com a garantia de comandar a Assembleia, qualquer recuo futuro será visto internamente como rasteira. Por outro lado, o PP pode achar pesado demais entregar ao Republicanos a vice, espaços na majoritária e ainda o comando da Casa de Epitácio Pessoa.

O fato concreto é que a disputa já começou. Wilson Filho representa a continuidade do acordo defendido pelo Republicanos. Eduardo Carneiro representa o avanço do PP sobre uma das estruturas mais importantes de poder da Paraíba.

No discurso, a base governista segue unida. Nos bastidores, porém, a briga pela Assembleia mostra que a eleição de 2026 não termina na disputa pelo Governo. Depois das urnas, virá outra eleição, menor no tamanho, mas enorme no peso político: a eleição que definirá quem vai mandar na Assembleia Legislativa.

E até lá, a dúvida seguirá incomodando o Republicanos: o acordo será honrado ou Aguinaldo Ribeiro vai deixar Eduardo Carneiro avançar?

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