VIOLÊNCIA DE GÊNERO ; Justiça condena suplente de vereador de Sapé por ameaça contra mulher durante sessão da Câmara

 

O suplente de vereador José Agamenon Gomes de Brito (conhecido por Marcone Mãozinha ) e secretário de articulação politica do Major Sidney prefeito de Sapé foi condenado pela Justiça da Paraíba pelo crime de ameaça após declarações consideradas violentas e intimidatórias contra a cidadã Maria Tereza Carneiro durante uma sessão da Câmara Municipal de Sapé transmitida ao vivo pela internet. 

A sentença foi assinada pela juíza Janete Oliveira Ferreira Rangel, da 3ª Vara Mista de Sapé, no último dia 25 de maio. A magistrada entendeu que o parlamentar extrapolou os limites da atividade política e utilizou a tribuna da Câmara para promover ataques pessoais e ameaças de violência contra a vítima.  

De acordo com os autos, durante sessão plenária realizada em agosto de 2023, o vereador afirmou publicamente que a vítima deveria ser “amarrada pelo mocotó e puxada”, além de chamá-la de “mulher desqualificada”. A fala foi reproduzida diante de vereadores, servidores, populares e espectadores que acompanhavam a transmissão online.  

Outro denunciado no processo, o vereador Ricardo Miguel de Lima, conhecido como “Ricardo Motos”, também foi acusado de ameaças contra a mesma vítima. Contudo, o processo em relação a ele foi suspenso condicionalmente após acordo previsto na Lei dos Juizados Especiais.  

Na decisão, a magistrada rejeitou a tese da defesa que alegava imunidade parlamentar. Segundo a juíza, a proteção constitucional dada aos vereadores não pode servir de escudo para ameaças, violência verbal ou intimidação pessoal.

“A utilização da tribuna para a prática de crimes descaracteriza o exercício regular do mandato”, destacou a sentença.  

A Justiça também reconheceu que as declarações tiveram forte impacto psicológico sobre a vítima. Conforme depoimentos colhidos no processo, Maria Tereza passou a viver sob medo, contratou segurança particular e precisou intensificar tratamento psiquiátrico após o episódio.  

A sentença ainda aponta que as expressões utilizadas pelo vereador carregavam conteúdo de violência de gênero, agravando a conduta do réu.  

Ao fixar a pena, a magistrada endureceu o tom contra a postura do parlamentar e afirmou que houve abuso da função pública:

“O réu praticou o crime valendo-se de sua condição de vereador e utilizando a tribuna da Câmara Municipal, um espaço de democracia, para proferir ameaças pessoais”, registrou a juíza.  

José Agamenon foi condenado a quatro meses de detenção em regime aberto pelo crime de ameaça. A Justiça negou a substituição da pena por medidas restritivas de direitos sob o entendimento de que o crime envolveu grave ameaça à pessoa.  

A decisão também determina, após trânsito em julgado, comunicação à Justiça Eleitoral para suspensão dos direitos políticos do condenado.  

 

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