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Enquanto a zona rural afunda na lama,além da falta de gasolina nas ambulâncias do municipio prefeito Léo Bandeira desfila em Brasília

 A política brasileira tem um talento peculiar: transformar compromisso institucional em agenda de conveniência e converter dinheiro público em conforto administrativo. Em Lucena, a pergunta que começa a circular nos bastidores é direta: qual era a prioridade da viagem do prefeito Léo Bandeira a Brasília — resolver os problemas do município ou participar de um jantar político cercado de aliados?

O motivo da polêmica gira em torno da participação do prefeito em um encontro promovido pelo deputado estadual Eduardo Carneiro, em Brasília, que reuniu aliados e gestores municipais em um jantar político. O problema não é a existência do encontro. Política se faz com articulação. O debate surge quando entra a pergunta que o cidadão comum tem direito de fazer: a viagem foi custeada como agenda institucional ou virou passeio político financiado indiretamente pelo bolso do contribuinte?

Porque, enquanto há registros de deslocamentos, diárias, estrutura e presença ao lado da primeira-dama em ambientes de alto padrão, a realidade de parte da população de Lucena parece viver em outro país.

Na Estiva do Geraldo, moradores seguem cobrando melhores condições de estrada. Em comunidades da zona rural, reclamações sobre atendimento de saúde persistem. Há denúncias recorrentes de dificuldades em unidades básicas, estruturas que necessitam de melhorias e questionamentos sobre a situação de PSFs. Em bairros da cidade, obras inacabadas continuam servindo de monumento ao atraso administrativo. Escolas também são alvo de críticas sobre problemas estruturais, incluindo relatos de rachaduras e necessidade de manutenção.

A fotografia política gera um contraste inevitável: de um lado, jantar em Brasília, articulação e ambiente sofisticado; do outro, moradores enfrentando problemas que deveriam ocupar o centro das prioridades de qualquer gestão.

E a pergunta permanece no ar: havia agenda oficial concreta que justificasse custos públicos? Houve reuniões técnicas, captação de recursos, assinatura de convênios ou tratou-se apenas de um encontro de alinhamento político?

Porque o cidadão não paga impostos para bancar turismo institucional disfarçado de compromisso público.

A discussão não é sobre um prefeito jantar. É sobre prioridades.

Num município onde estradas ainda pedem socorro, postos de saúde enfrentam críticas e obras permanecem sem conclusão, qualquer imagem de conforto político em Brasília inevitavelmente produz desgaste.

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