BOMBA . Escândalo em Gurinhém: Vereador denuncia pagamento de R$ 1,4 milhão à ONG baiana sem comprovação de serviços na saúde

 O município de Gurinhém, no interior da Paraíba, virou alvo de uma denúncia grave apresentada ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB). O vereador Dênis dos Santos Coelho protocolou, em março deste ano, um documento que aponta possível desvio de recursos públicos na área da saúde.

Segundo a denúncia, a Prefeitura de Gurinhém contratou, no final de 2022, o Instituto Vida Forte, uma entidade sediada em Salvador (BA), para gerir e modernizar os serviços de saúde do município. O valor do contrato ultrapassa R$ 1,4 milhão, já completamente pago pela gestão do prefeito Tarcísio Saulo de Paiva.

Contudo, o vereador denuncia que nenhuma melhoria foi percebida na rede municipal de saúde, tampouco há indícios de que a instituição tenha atuado na cidade. “Passado mais de um ano da homologação da licitação e seis meses do último pagamento, não houve qualquer contratação de pessoal, nem mudanças na gestão da saúde. Pelo contrário: o que se vê é o caos”, declarou Dênis Coelho.

Dinheiro saiu, mas a saúde continua em colapso

De acordo com o relatório apresentado, foram pagos R$ 933 mil em 2022 e outros R$ 466 mil em 2023, totalizando R$ 1.400.964,00 ao Instituto. Mesmo com esse investimento, a população continua enfrentando falta de medicamentos, carência de médicos e ausência de insumos básicos nos postos de saúde.

“Os próprios moradores nem sequer têm conhecimento da existência do contrato. É como se o Instituto nunca tivesse pisado aqui”, afirmou o vereador.

Além da inércia da entidade, a denúncia destaca que o Instituto Vida Forte já estaria envolvido em outras irregularidades em diferentes estados, levantando ainda mais suspeitas sobre a lisura do contrato firmado.

Tribunal admite denúncia e pode investigar contrato

O documento foi protocolado sob o nº 01742/24 e já teve a admissibilidade confirmada pela Ouvidoria do TCE-PB, que considerou a denúncia formalmente válida. O caso agora aguarda abertura de processo de apuração, podendo resultar em sanções administrativas, devolução de recursos e responsabilização dos gestores.

O relator do caso é o conselheiro Arnóbio Alves Viana, e o contrato suspeito está vinculado à chamada pública nº 00002/2022, também sob análise do Tribunal.

O vereador ainda solicitou que o TCE realize inspeção in loco, com urgência, tanto na Prefeitura quanto na Secretaria de Saúde, para evitar que documentos sejam ocultados ou provas desapareçam.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem