Após votação da LDO sem oposição, Wellington Cobra cobra fiscalização: “O que está no papel nem sempre se concretiza”

 O vereador Wellington Cobra, integrante da bancada de oposição na Câmara Municipal de Campina Grande (CMCG), afirmou que o grupo cumpriu seu papel constitucional durante as discussões da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 ao cobrar maior controle sobre a aplicação dos recursos públicos. Segundo o parlamentar, a oposição não atua para dificultar a gestão municipal, mas para garantir que o orçamento seja executado com transparência e em benefício da população.

“Vamos acompanhar a correta aplicação dos recursos públicos, porque o que está no papel nem sempre se concretiza. Hoje, em vez de avançar na abertura de novas UBSs, Campina Grande luta para não fechar as que já existem, o mesmo ocorrendo com farmácias de postos de saúde. O município enfrenta ainda uma crise com servidores em busca de direitos não respeitados pela gestão. É esse o debate que interessa à população. Com o fim do período junino e alta arrecadação, vamos fiscalizar a aplicação dos recursos. No ano passado, foram cerca de R$ 742 milhões circulando na cidade, mas a situação só piorou. Esperamos que isso não se repita”, declarou.

O vereador também rebateu as críticas direcionadas ao bloco oposicionista durante a tramitação da matéria. De acordo com Wellington Cobra, a intenção da oposição sempre foi votar a LDO, mas com mecanismos que garantissem maior fiscalização sobre os gastos do Executivo. “Mais uma vez, o chefe do Poder Executivo tenta enfraquecer este parlamento e reduzir o poder que o povo de Campina Grande nos deu para representá-lo. As emendas impositivas permitem que vereadores destinem recursos diretamente às áreas que conhecem de perto, ao contrário de quem não circula nas ruas da cidade. No entanto, o mesmo gestor que depende dessas emendas e de recursos federais não garante esse mesmo direito aos representantes do povo. Essa postura resulta em comunidades abandonadas e falta de diálogo com a população. Apesar disso, seguimos firmes na luta por uma Campina Grande melhor, independentemente de emendas ou não”, afirmou.

Segundo o parlamentar, a fiscalização se faz necessária porque, embora existam recursos previstos no orçamento e destinados a diferentes áreas, nem sempre essas verbas são efetivamente executadas. Para ele, cabe ao Legislativo acompanhar a aplicação do dinheiro público e cobrar que os investimentos previstos cheguem aos serviços essenciais oferecidos à população.

As declarações foram feitas após uma sessão marcada por impasses. Inicialmente, a reunião destinada à votação da LDO, realizada nesta terça-feira (30), chegou a ser suspensa para que os vereadores realinhassem pontos do projeto antes da continuidade da análise. A interrupção ocorreu durante a apreciação da matéria, considerada uma das mais importantes para o planejamento financeiro do município.

Na retomada dos trabalhos, a Câmara aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2027 sem a presença da bancada de oposição, que deixou o plenário em protesto. A proposta foi aprovada por 11 votos da base governista. Nos bastidores, o principal ponto de divergência continua sendo a ausência das chamadas emendas impositivas no texto enviado pelo prefeito Bruno Cunha Lima (União Brasil). A oposição defendia a retomada da discussão sobre o mecanismo, enquanto aliados do governo sustentaram a aprovação da matéria nos moldes apresentados pelo Executivo. A votação ainda poderá ser alvo de questionamentos judiciais, já que há entendimento de que seriam necessários 12 votos favoráveis para a aprovação da LDO.

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