No papel, parecia roteiro pronto: gestão na mão, visibilidade diária e o peso político do Major Sidney prefeito e esposo da primeira-dama de Sapé. Mas, na prática, a história que começa a se desenhar para Denise Ribeiro, pré-candidata a deputada estadual, anda mais para suspense do que para vitória anunciada.
Levantamento recente do Instituto Seta jogou um balde de água fria nas expectativas. Mesmo com a estrutura da prefeitura e a influência direta do prefeito Major Sidnei, os números não empolgam. Pelo contrário: indicam que a pré-candidatura ainda não conseguiu sair da bolha local nem transformar gestão em capital eleitoral consistente.
E aí mora o ponto mais curioso. Em teoria, Denise reúne os ingredientes que muitos pré-candidatos sonham: máquina pública funcionando, presença constante e uma base política já montada. Mas, na prática, o eleitor parece olhar para isso tudo e responder com um silencioso “ainda não”.
O Instituto Seta, que tem histórico consolidado no Nordeste e é comandado pelo cientista político Daniel Menezes, não costuma trabalhar com achismo. Seus levantamentos seguem metodologia técnica e critérios rígidos. Ou seja, não é exatamente o tipo de resultado que dá para simplesmente ignorar.
Nos bastidores, o clima já não é de tanta tranquilidade. A cada nova rodada de expectativa, cresce a percepção de que o projeto pode estar superestimado. E o que antes era tratado como caminho natural até a Assembleia Legislativa agora começa a parecer uma estrada cheia de desvios — e com placas pouco animadoras.
No fim das contas, a tal “força da gestão” pode até garantir visibilidade. Mas, como a pesquisa sugere, visibilidade não é sinônimo de voto. E, para Denise Ribeiro, o que era sonho político vai, aos poucos, ganhando contornos de um despertar nada confortável.