Um sinal de alerta acendeu nos bastidores do Tribunal de Contas da Paraíba após decisões recentes que vêm sendo interpretadas como perigosamente complacentes com agentes públicos sob suspeita. O episódio ganha ainda mais peso diante do precedente aberto pelo Superior Tribunal de Justiça, que recentemente condenou conselheiros do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro por envolvimento em corrupção — um recado claro de que toga não é escudo para ilegalidade.
Na Paraíba, cresce a percepção de que há movimentações políticas tentando transformar o TCE em abrigo para quem busca escapar de investigações. No centro desse furacão está o ex-secretário Tibério Limeira, que responde a inquéritos envolvendo supostas irregularidades e suspeitas de corrupção durante sua atuação no governo João Azevêdo.
Nos corredores da Corte, conselheiros e auditores já demonstram desconforto com o que classificam como tentativas de “esticamento institucional” — quando decisões deixam de ser técnicas para flertar com interesses políticos. A preocupação é clara: o Tribunal de Contas não pode virar um “balcão de imunidade” para quem deseja limpar a ficha antes de encarar as urnas.
O Ministério Público de Contas, por sua vez, já se posicionou contra as investidas de Limeira, apontando risco de interferência indevida e uso de influência política. Ainda assim, o cenário segue tenso, com decisões que levantam questionamentos sobre imparcialidade.
A situação se agrava com a atuação de novos conselheiros com vínculos políticos evidentes. Nomes como Alana Galdino, Deusdete Queiroga e Taciano Diniz — todos com origem direta no núcleo político ligado ao governo e à Assembleia — deveriam, segundo especialistas, adotar postura de impedimento em casos envolvendo ex-colegas de gestão. Mas o que se vê, segundo críticas internas, é justamente o oposto.
Um exemplo emblemático foi o voto de Taciano Diniz, que, logo no início de sua atuação, optou por tornar sigilosa uma investigação envolvendo o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley, em um caso que trata de suposto desaparecimento de recursos públicos.
O problema, dizem fontes da própria Corte, não é apenas jurídico — é moral. O Tribunal de Contas existe para fiscalizar o uso do dinheiro público, não para servir de escudo a quem pode ter feito uso indevido dele.
O caso de Tibério Limeira, que busca decisões favoráveis em meio a suspeitas e investigações, tornou-se símbolo de um debate maior: até que ponto o TCE-PB conseguirá manter sua independência diante da pressão política?
Se os sinais continuarem na direção atual, não está descartada a judicialização de decisões da Corte — e aí, o recado pode vir de fora, como já aconteceu no Rio de Janeiro.
Porque, no fim das contas, a pergunta que ecoa nos bastidores é direta e incômoda: o Tribunal de Contas vai julgar ou proteger?
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