A sessão itinerante realizada pela Câmara Municipal de Lucena no assentamento Estiva do Geraldo acabou virando um retrato cru de uma realidade que muita gente já sentia, mas que agora ganhou voz e visibilidade. Sob a condução do presidente vereador Mersinho da UP , o encontro colocou frente a frente moradores e vereadores, sem filtro e sem maquiagem.
O cenário apresentado pelos próprios moradores foi direto: isolamento, abandono e ausência do poder público. A comunidade, que reúne entre 800 e 1.000 moradores, vive praticamente desconectada do restante do município de Lucena. Não há sinal de operadoras de celular, o que dificulta desde uma simples comunicação até situações de emergência. Em pleno século XXI, a população segue invisível digitalmente..
O problema se agrava ainda mais no período de inverno. A falta de pavimentação transforma o acesso à localidade em um desafio diário. Estradas precárias, sem calçamento em paralelepípedo, dificultam a entrada e saída de moradores, transporte escolar e até atendimentos de saúde. Uma situação que, segundo relatos, se arrasta desde as gestões do prefeito Leo Bandeira, sem solução concreta.
Durante a sessão, os depoimentos foram fortes. Moradores relataram uma saúde precária, ausência de creche para famílias que mais precisam e falta de programas sociais que alcancem a região. A sensação predominante é de esquecimento.
A vereadora Fabiana da Estiva destacou a importância da iniciativa. Para ela, a sessão itinerante cumpriu seu papel ao levar a estrutura do Legislativo até quem mais precisa, dando espaço para que a população falasse por si.
Moradora da própria comunidade, a vereadora Fabiana da Estiva afirmou estar satisfeita com a iniciativa do presidente da Câmara. Segundo ela, dar voz à população sempre foi seu objetivo, justamente para que os moradores tenham a oportunidade de dizer, com clareza, o que querem e precisam para a região onde vivem.
Enquanto isso, vereadores alinhados à gestão municipal acompanharam os relatos em silêncio, atitude que não passou despercebida pelos presentes e acabou reforçando o clima de insatisfação.
No meio desse cenário, a atuação do vereador Mersinho da UP ganha peso político e simbólico. Ao levar a Câmara até uma área historicamente esquecida, ele não apenas abriu espaço para denúncias, mas também colocou pressão sobre o Executivo. A sessão deixou claro que Estiva do Geraldo não quer mais promessas, quer presença e ação.
Mais do que um ato político, o encontro funcionou como um alerta público: existe uma parte de Lucena que está fora do mapa — e agora, ficou impossível fingir que não se vê.
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