O Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, já foi motivo de orgulho para a Paraíba. Inaugurado com a promessa de ser referência em média e alta complexidade, rapidamente se consolidou como um dos principais centros de cardiologia do Nordeste. Ali foram realizados procedimentos complexos, cirurgias cardíacas delicadas e até transplante — um marco que colocou o hospital no mapa da medicina de ponta no estado.
Era o tempo em que o Metropolitano simbolizava esperança. Pacientes do interior e da capital encontravam atendimento especializado, estrutura moderna e equipes comprometidas. O hospital representava mais do que concreto e equipamentos: era a materialização de um investimento público que salvava vidas.
Hoje, entretanto, o cenário descrito por médicos e servidores é outro.
Após a entrada na gestão dos chamados “genros” — como passaram a ser identificados, nos bastidores políticos, os novos controladores da estrutura administrativa — o hospital, segundo denúncias, começou a perder o rumo. Profissionais relatam precarização de serviços, decisões administrativas questionáveis e um ambiente de insegurança clínica.
Um dos pontos mais graves envolve a contratação de uma empresa de fora do estado para a emissão de laudos de exames. De acordo com relatos médicos, os laudos estariam chegando incompletos, sem dados essenciais para a tomada de decisões cirúrgicas. Em cardiologia, onde minutos podem separar a vida da morte, a ausência de informações técnicas precisas compromete intervenções e expõe pacientes a riscos inaceitáveis.
Sem laudo completo, não há segurança para operar. Sem segurança para operar, a vida do paciente entra em zona de perigo.
Além disso, surgem denúncias de falta de medicamentos básicos e insumos hospitalares. O que já seria grave ganha contornos ainda mais alarmantes com relatos de falhas na higiene da unidade. Servidores afirmam que baratas foram vistas circulando sobre alimentos servidos aos pacientes — uma imagem que sintetiza a degradação denunciada.
Um hospital que já realizou transplantes agora é acusado de não garantir condições sanitárias mínimas.
Se confirmadas, as denúncias revelam não apenas um problema administrativo, mas uma crise humanitária silenciosa dentro de uma instituição pública que deveria ser sinônimo de cuidado e excelência.
O Hospital Metropolitano foi concebido para salvar vidas. A pergunta que ecoa hoje nos corredores, segundo profissionais que lá atuam, é outra: quem salvará o hospital?

0 Comentários