O Poder Judiciário estadual encerrou 2025 com um marco histórico na gestão de precatórios: mais de R$ 713 milhões foram liberados para o pagamento de credores judiciais. Este é o maior montante já registrado pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Os recursos beneficiaram 18.421 pessoas que aguardavam o cumprimento de decisões judiciais transitadas em julgado contra o Estado, municípios e o Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), com prioridade para idosos, pessoas com deficiência e portadores de doenças graves.
Segundo a Presidência do TJPB, do total liberado, R$ 572,8 milhões correspondem a débitos do Estado da Paraíba; R$ 119,6 milhões a obrigações dos municípios paraibanos; e R$ 21,1 milhões a valores devidos pelo INSS.
O presidente do TJPB, desembargador Fred Coutinho, destacou que, com esse recorde, o Tribunal reafirma seu compromisso com a efetividade da Justiça, beneficiando milhares de cidadãos e cidadãs, fortalecendo, assim, a confiança no Poder Judiciário estadual. O desembargador também enfatizou o caráter humano dessa conquista: “Precatório não é apenas um número em uma planilha. Por trás de cada processo há uma pessoa que esperou anos para ver seu direito reconhecido e materializado. Quando liberamos esses recursos, estamos devolvendo dignidade a milhares de famílias.”
Na avaliação do magistrado, cada precatório pago representa uma promessa cumprida pelo Poder Judiciário paraibano. “Seguiremos trabalhando para que 2026 seja ainda mais exitoso, honrando a confiança que a sociedade deposita nesta Corte”, disse.
Prioridade absoluta – Uma parcela significativa dos pagamentos foi destinada às chamadas superpreferências, categoria que assegura prioridade a credores com mais de 60 anos, portadores de doenças graves e pessoas com deficiência. Para muitos desses beneficiários, o recebimento do precatório representa não apenas a concretização de um direito, mas uma mudança substancial em suas condições de vida, possibilitando acesso a tratamentos de saúde, quitação de dívidas acumuladas durante anos de espera e maior segurança financeira em momento de vulnerabilidade.
“Tal medida possibilitou a quitação de créditos há longo tempo pendentes, representando um marco histórico na gestão de precatórios deste Tribunal, com inegável repercussão social, ao concretizar o direito dos credores e fortalecer a credibilidade do regime constitucional de pagamento”, pontuou o juiz auxiliar da Presidência, Leonardo Paiva.
Desafios superados – O resultado de 2025 ganha ainda mais relevância diante do cenário imposto pela Emenda Constitucional nº 136, que reduziu os percentuais de repasse obrigatório pelos entes devedores. Mesmo com a diminuição dos recursos disponíveis, o trabalho integrado entre a Presidência do Tribunal, Gerência de Precatórios e Diretoria de Finanças permitiu que o TJPB alcançasse o patamar recorde.
A diretora de Finanças do TJPB, Izabel Izidoro, enfatizou que a sinergia entre os setores é um elemento central para o alcance dos resultados. “O trabalho integrado com a Gerência de Precatórios foi fundamental. Estabelecemos fluxos de comunicação permanentes e uma rotina de acompanhamento que nos permitiu antecipar demandas e resolver pendências com agilidade”, explicou.
Izabel ressaltou ainda que a busca pela excelência é um processo contínuo. “Nosso compromisso é com a melhoria constante. Cada pagamento realizado representa o encerramento de um ciclo de espera para o credor, e temos consciência dessa responsabilidade. Por isso, investimos em capacitação da equipe e aprimoramento dos processos internos”, afirmou.
Palavra do servidor e do sindicato – O técnico judiciário do Tribunal de Justiça da Paraíba Fernando Simões de Farias foi um dos beneficiados com o pagamento de precatório, no ano passado. Segundo o servidor, “o impacto na vida financeira de quem recebeu o precatório é muito importante e uma grande ajuda, de forma geral. Recebi 50% de um precatório e estou à espera de pagamento de um segundo precatório, dentro da categoria das superpreferências.”
O presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado da Paraíba (Sinjep-PB), João Ramalho, parabenizou a Presidência do TJPB e a Procuradoria-Geral do Estado pela gestão dos pagamentos superpreferenciais e preferenciais dos precatórios. “Essa atitude é louvável, porque garante o recebimento de precatório para dar uma melhor qualidade de vida àquelas pessoas que merecem. O Setor de Precatório, por meio de seus servidores, está realizando um trabalho brilhante para dar celeridade a estes pagamentos. Então, ficam aqui os nossos parabéns a todos da equipe de precatórios do Poder Judiciário paraibano”, destacou.
Outra boa notícia é que o Estado da Paraíba já definiu o Plano Anual de Pagamento de Precatórios para o exercício de 2026, em conformidade com a Constituição Federal, especialmente nos termos da Emenda Constitucional nº 136, bem como em observância às resoluções do Conselho Nacional de Justiça.
O cronograma prevê repasses mensais e regulares ao TJPB, calculados com base no percentual da receita corrente líquida fixado para o exercício e no estoque de precatórios em mora, nos termos estabelecidos pela Emenda Constitucional nº 136, assegurando previsibilidade, estabilidade e regularidade ao fluxo de pagamentos ao longo de todo o ano.
Nesta terça-feira (27/01) foi publicado no Diário da Justiça eletrônico o edital nº 01/2026, convocando todos os titulares de precatórios cujo ente devedor seja o Estado da Paraíba para manifestarem interesse na realização de acordo direto.
Conforme o procurador e coordenador da Procuradoria de Passivos Judiciais (Proipaj) da Procuradoria-Geral do Estado, Arthur Dias Freire, a execução dos repasses é realizada pela Secretaria da Fazenda do Estado, com acompanhamento permanente da Procuradoria-Geral do Estado e do próprio Tribunal de Justiça da Paraíba, garantindo o fiel cumprimento do Plano Anual de Pagamento aprovado e a adequada gestão do passivo de precatórios.
“Mesmo diante desse cenário, o Estado da Paraíba tem adotado medidas estruturantes voltadas à diminuição do estoque de precatórios, com destaque para a política de acordos diretos com credores, que permite maior eficiência na quitação dos débitos, e para a implementação de mecanismos de compensação de créditos, nos termos da legislação aplicável, como instrumentos adicionais de gestão do passivo judicial”, concluiu o procurador.
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