Em Sapé, a máquina pública parece ter escolhido um lado, e não é o da população. Enquanto faltam medicamentos no hospital, obras seguem paralisadas e serviços básicos deixam a desejar, o prefeito Major Sidnei Paiva concentra esforços, agenda e estrutura administrativa na construção de um projeto eleitoral muito particular, a candidatura da própria esposa à Assembleia Legislativa.
O caso mais simbólico dessa inversão de prioridades está na obra da Creche Municipal da Agrovila. A construção, aguardada há anos por famílias da comunidade, teve os serviços interrompidos e acabou virando alvo de um Procedimento Preparatório instaurado pelo Ministério Público da Paraíba. O órgão quer saber por que uma obra contratada, com processo administrativo concluído, simplesmente parou sem explicações convincentes.
Não se trata de detalhe técnico nem de disputa política menor. A paralisação de uma creche afeta diretamente mães, pais e crianças que dependem desse equipamento para ter acesso à educação infantil e, muitas vezes, para conseguir trabalhar. Quando uma creche não funciona, toda uma rede social é prejudicada.
Ao mesmo tempo, cresce em Sapé a percepção de que o prefeito governa com foco no calendário eleitoral, e não nas necessidades imediatas da cidade. A pré-campanha da primeira-dama, Denise Ribeiro, avança com força, amparada por uma estrutura que deveria estar a serviço do município, não de um projeto familiar de poder.
A sensação nas ruas é de abandono. Moradores relatam falta de medicamentos no hospital municipal, obras inacabadas espalhadas pela cidade e promessas que não saíram do papel. É nesse contexto que o uso ostensivo da máquina pública para alavancar uma candidatura soa não apenas imoral, mas desrespeitoso com quem espera soluções concretas.
O Ministério Público cumpre seu papel ao investigar a paralisação da creche e cobrar explicações da gestão. Mas a questão vai além do aspecto jurídico. Trata-se de um problema político e ético. Governar exige escolhas, e Major Sidnei parece ter escolhido priorizar a sucessão da esposa enquanto Sapé acumula demandas urgentes.
A política não pode ser tratada como herança familiar nem como projeto pessoal sustentado por recursos públicos. A cidade não pode parar para que uma campanha avance. Em Sapé, o recado que vem das ruas é claro, falta gestão, falta compromisso com o básico e sobra uso político da estrutura municipal.
Se o prefeito deseja fazer campanha, que o faça como cidadão. A máquina pública, o dinheiro do povo e o tempo da administração deveriam estar dedicados a resolver os problemas da cidade. Sapé precisa de governo, não de palanque permanente.
Se quiser, posso te passar duas ou três variações de manchete com tons diferentes, mais duro ou mais institucional.
