O desespero bateu à porta da família Ribeiro — e parece que veio pra ficar. A senadora Daniela Ribeiro, que há quase oito anos ocupa uma cadeira no Senado sem deixar um único projeto digno de lembrança, resolveu agora trocar a inércia pela verborragia. Como uma nuvem que passou sem pingar uma gota, Daniela tenta compensar a falta de relevância política atacando o prefeito Cícero Lucena, que ousou fazer o imperdoável: crescer nas pesquisas e não se ajoelhar diante do clã Ribeiro.
Inconformada com o fato de Cícero não embarcar no projeto de poder familiar que tenta empurrar Lucas Ribeiro, o vice-governador, goela abaixo da Paraíba, Daniela subiu o tom. Tentou colar no prefeito o rótulo de “traidor”, mas o tiro — ah, o tiro — saiu pela culatra. Cada ataque da senadora tem funcionado como propaganda gratuita: quanto mais ela late, mais Cícero cresce nas intenções de voto para governador.
A verdade nua e crua é que não houve traição alguma. Cícero se elegeu prefeito pelo Progressistas, sim, mas o partido na Paraíba tem dono — e o sobrenome é Ribeiro. O prefeito entrou com o nome, o voto e o trabalho. O resto, como todos sabem, foi legenda emprestada. Enquanto os Ribeiro usufruíam das benesses da prefeitura, tudo era festa. Mas bastou Cícero se colocar como opção legítima ao governo, dentro do próprio partido, para o castelo do “projeto de poder absoluto” começar a ruir.
Daniela e seu irmão, o deputado Aguinaldo Ribeiro, decidiram impor o nome de Lucas à força, ignorando o básico: ouvir o povo. Foi uma candidatura fabricada em laboratório — fria, elitista e sem apelo popular. Uma aventura empurrada de cima pra baixo, sustentada pela máquina, mas sem coração nas ruas.
Enquanto isso, Cícero, com discurso sereno e pé no chão, vai conquistando apoios até mesmo dentro dos partidos aliados ao governo. O Republicanos, por exemplo, já tem parlamentares e vereadores declarando voto em Lucena, e o próprio presidente da legenda, Hugo Motta, fez vista grossa — compreendendo que o eleitor está com Cícero, e ponto final.
Resta saber: vai chamar todo mundo de traidor, senadora? Porque se for assim, prepare a garganta — a debandada vai ser grande. Quando João Azevêdo entregar o governo a Lucas, se é que isso ainda vai acontecer, cada um vai cuidar de si. E o império dos Ribeiros, que já range nos alicerces, pode ruir de vez.
No fim das contas, Daniela queria um trono, mas o povo anda preferindo quem tem chão. E Cícero, pelo visto, tem os dois pés bem firmes nele.
O Implicante
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