A Federação entre PP e União Brasil decidiu: o senador Efraim Filho será o candidato a governador na Paraíba, enquanto Tarcísio de Freitas carrega o estandarte do bolsonarismo rumo à Presidência. Traduzindo: João Azevêdo que se cuide, porque o cerco político está se fechando.
Se Azevêdo realmente quiser se arriscar ao Senado, terá que se virar nos 30: entregar o governo a Lucas Ribeiro, empurrar o rapaz para o PSB e arrastar junto a mãe senadora Daniela e o tio Agnaldo Ribeiro. Mas convenhamos, essa equação política é praticamente uma prova de física quântica.
Enquanto isso, Efraim sobe. Prestígio consolidado, palavra respeitada, zero dubiedade: ele marcha com Tarcísio sem pestanejar. Já Agnaldo Ribeiro, mesmo dentro do PP, carrega uma coleção de restrições morais que nem todo marketing do mundo consegue esconder. Daniela, por sua vez, já trocou de legenda como quem troca de vestido – foi para o PSD de Kassab, deixando feridas abertas no PP.
O problema é que João Azevêdo insiste em ignorar a realidade. Pesquisa nenhuma convence, alerta nenhum o tira do transe. Sua obstinação já beira o ridículo, como se não tivesse aprendido nada com o sacrifício de Ricardo Coutinho para colocá-lo no governo. E seus “gurus” Ronaldo Guerra e Nonato Bandeira, que se vendem como gênios da política, parecem mais alunos reprovados em repetência eterna.
No fim das contas, João não tem capilaridade eleitoral. É gestor, mas é um desastre como político. Eleição não se ganha com asfalto, mas com articulação, com moeda de troca e com braço forte de liderança. E aí está o problema: ele não construiu essa rede e agora já é tarde demais.
Sua possível candidatura ao Senado, colada no nome do desgastado prefeito de Patos, Nabor Wanderley, nasce manca. O grupo Motta/Wanderley vai sugar até o último centavo das benesses do governo Lula, enquanto João distribui recursos achando que isso, sozinho, compra voto. A realidade é cruel: seu isolamento é cada vez mais visível e sua sobrevivência política, cada vez mais improvável.

