Em um cenário com múltiplos candidatos ao Governo da Paraíba — como Lucas Ribeiro, Pedro Cunha Lima, Marcelo Queiroga e Cícero Lucena —, não seria surpresa se o prestígio do presidente Lula alavancasse o nome de Adriano Galdino rumo ao segundo turno.
Na última pesquisa do Instituto Anova, Galdino apareceu com 5,9% das intenções de voto.
É uma largada significativa. O número revela viabilidade e mostra que há espaço para crescer, especialmente se conseguir mobilizar o eleitorado historicamente identificado com o lulismo.
Diferente de Veneziano Vital do Rêgo, que em 2022 tentou chegar ao segundo turno colado na imagem de Lula, Galdino teria uma vantagem decisiva: disputar a eleição pelo próprio PT.
Além disso, há um contraste biográfico que pode pesar na campanha. Enquanto Veneziano vem de uma família tradicional da política e nasceu em berço de ouro, Adriano Galdino construiu sua trajetória a partir do povo — uma identificação que dialoga diretamente com a história de vida de Lula.
Um dado que chama atenção: nas eleições de 2022, mais de 109 mil paraibanos votaram no número 13 para governador, anulando o voto. Esse eleitorado representa mais de 20% do total de votos que Pedro Cunha Lima obteve no primeiro turno (520 mil votos, ou 23% do total).
É verdade que Lula, apesar de seu enorme prestígio nacional, já perdeu várias eleições para o governo da Paraíba. Mas o contexto muda conforme o candidato e as circunstâncias. Com um nome competitivo e uma campanha bem articulada, Lula pode sim transferir uma parte significativa — talvez mais da metade — de seu eleitorado estadual já no primeiro turno.
Adriano Galdino também tem capital político próprio. Sua força na Assembleia Legislativa é inquestionável, e o Republicanos, partido que ajudou a fortalecer, tornou-se um dos maiores da Paraíba graças à sua articulação e à fidelidade de prefeitos e deputados aliados.
A grande dúvida é se Galdino teria coragem de se filiar ao PT. O histórico de instabilidade interna do partido e os conflitos entre suas alas podem assustar. Ainda assim, se topasse o desafio, Adriano entraria na disputa em condições reais de competir com os principais nomes — e com chances concretas de ir ao segundo turno.
Mais do que um palanque para Lula, seria a chance de o PT protagonizar novamente o debate estadual com um nome forte, popular e politicamente experiente.

