A CONTA CHEGA : MP investiga São João milionário de Sapé após gastos de quase R$ 8 milhões com festas

 Enquanto a população de Sapé convive com desafios históricos nas áreas de saúde, educação e infraestrutura, a Prefeitura virou alvo de investigação do Ministério Público da Paraíba por conta dos gastos elevados com o São João 2025. O evento, batizado de forma simbólica como “A chama que não se apaga”, agora queima também nos órgãos de controle.

O 3º promotor de Justiça do município, Eduardo de Freitas Torres, instaurou em dezembro de 2025 um Inquérito Civil Público para apurar supostas irregularidades na contratação de artistas e na aquisição de materiais utilizados na festa junina. A investigação ocorre poucos meses após um levantamento do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) revelar números considerados alarmantes.

De acordo com o relatório do TCE, Sapé aparece entre os municípios que mais gastaram com festejos juninos em 2025, com despesas que ultrapassam R$ 7 milhões, ficando atrás apenas de Santa Rita, que liderou o ranking com R$ 11,3 milhões.

Os dados oficiais apontam que a Prefeitura de Sapé realizou 219 empenhos para o São João, totalizando R$ 7.799.759,97. Com uma população estimada em 53.457 habitantes, o gasto chegou a R$ 145,91 por morador, um dos maiores valores per capita do estado.

O levantamento do TCE-PB também chama atenção para a proporção das despesas, mostrando que Sapé se destaca negativamente quando os gastos com festas são comparados aos investimentos em saúde, educação e obras públicas, áreas essenciais para a população.

A programação do São João ocorreu entre os dias 23 e 30 de junho, reunindo quase 30 atrações em apenas sete dias de evento. Segundo a plataforma Sagres, as contratações mais caras envolveram o grupo Menos é Mais, a banda Calcinha Preta e o cantor João Gomes, cada um com cachês em torno de R$ 500 mil.

Agora, com o Ministério Público investigando os contratos e a execução das despesas, cresce a pressão sobre a gestão municipal para explicar se o brilho dos palcos foi compatível com a legalidade dos gastos. Em Sapé, a chama do São João pode até não ter se apagado — mas a conta chegou, e quem acendeu o fósforo terá que responder.

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