Lockdown de 14 dias será necessário na Paraíba, indica Fiocruz

  Boletim Extraordinário divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta terça-feira (23) recomendou a adoção de medidas rígidas para o bloqueio da transmissão da Covid-19 em todos os estados, capitais e municípios que se encontram na zona de alerta crítico.

De acordo com o levantamento da entidade, somente Amazonas e Roraima não se encontram com mais de 80% dos leitos de UTI Covid-19 ocupados. Ou seja, em 25 estados e no Distrito Federal devem ser acatadas as recomendações de restrição das atividades não-essenciais por cerca de 14 dias para que haja a redução de aproximadamente 40% da transmissão do coronavírus, além da utilização de máscaras de proteção pela população.

A Paraíba se encontra com 83% dos leitos de UTI Covid para adultos ocupados. A situação mais crítica é no Mato Grosso do Sul, com 106% de ocupação. Isso significa que leitos não habilitados para atendimento de pacientes com coronavírus estão sendo usados para suprir a alta demanda de infectados. Em Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, a taxa de ocupação é de 99%. Em Rondônia o número de leitos ocupados atingiu 100%.

Dezenove capitais estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos iguais ou superiores a 90%: Porto Velho (100%), Rio Branco (94%), Macapá (99%), São Luís (95%), Teresina (99%), Fortaleza (96%), Natal (96%), João Pessoa (93%), Aracajú (91%), Belo Horizonte (107%), Vitória (96%), São Paulo (92%), %), Curitiba (100%), Florianópolis (98%), Porto Alegre (103%), Campo Grande (106%), Cuiabá (99%), Goiânia (98%) e Brasília (99%).

Outras seis capitais estão com taxas superiores a 80% e inferiores a 90%: Belém (88%), Palmas (88%), Recife (88%), Maceió (89%), Salvador (87%) e Rio de Janeiro (83%). Manaus, única cidade do estado a possuir leitos de UTI Covid-19, ecoa a taxa do Amazonas (79%), enquanto Boa vista, capital de Roraima, com um único hospital com 90 leitos de UTI para adultos, apresenta a taxa de 64%.

Segundo os pesquisadores da Fiocruz, os números elevados, “retratam o colapso do sistema de saúde para o atendimento de pacientes que requerem cuidados complexos para a covid-19, além de prejuízos imensuráveis no atendimento de pacientes que demandam cuidados em razão de outros problemas de saúde”.

“Desde o início do mês de março, o país assiste a um quadro que denota o colapso do sistema de saúde no Brasil para o atendimento de pacientes que requerem cuidados complexos para a Covid-19”, afirmam os pesquisadores do Observatório. “Este colapso não foi produzido em março de 2021, mas ao longo de vários meses, refletindo os modos de organização para o enfrentamento da pandemia no país, nos estados e nos municípios”.

Os pesquisadores alertam que, neste momento de crise, é urgente a adoção rigorosa das medidas de bloqueio da transmissão na quase totalidade dos estados e capitais que se encontram na zona de alerta crítico, bem como nos municípios que integram regiões de saúde onde há altas taxas de ocupação de leitos UTI Covid-19. “A coordenação e integração destas medidas, articuladas entre os diferentes níveis de governo e com ampla participação da sociedade, é vital neste momento. Assim, mesmo que vários municípios e estados já venham adotando estas medidas, é fundamental que governos municipais, estaduais e federal caminhem todos na mesma direção para ampliá-las e fortalecê-las, uma vez que a adoção parcial e isolada nos levará ao prolongamento da crise sanitária”, afirmam.

O documento apresenta uma lista de medidas urgentes com o objetivo de conter a crise sanitária e o colapso do sistema de saúde. “Para que essas medidas de bloqueio possam ser bem-sucedidas, elas devem ser adotadas conjuntamente, demandando cerca de 14 dias para que produzam resultados na redução das taxas de transmissão em aproximadamente de 40%, exigindo o monitoramento diário para acompanhar seus impactos na redução de casos, taxas de ocupação de leitos hospitalares e óbitos”, destaca o Boletim, que também toma como base para a recomendação a Carta do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e estudos realizados em outros países.

“Ampliar a disponibilidade e o uso de máscaras, tendo como meta que pelo menos 80% ou mais da população as utilize de modo adequado; campanhas de distribuição gratuita de máscaras de pano multicamadas, em áreas e pontos de maior concentração populacional e baixo percentual de uso, combinadas com campanhas governamentais e não-governamentais sobre sua importância e modo correto de utilização devem fazer parte desta estratégia”, diz o documento.

“A continuidade dos cenários em que temos o crescimento de todos os indicadores para Covid-19, como transmissão, casos, óbitos e taxas de ocupação de leitos UTI, resulta em colapso que afeta todo o sistema de saúde no país e no aumento das mortes por desassistência”, destacam os cientistas no Boletim. “Trata-se de um cenário que não é só de uma crise sanitária, mas também humanitária, se consideramos todos seus impactos”.

Blog do Dércio

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