Em depoimento à PF, Pazuello muda versão sobre falta de oxigênio em Manaus

  Em depoimento à Polícia Federal, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, mudou sua versão sobre quando foi informado da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus (AM). Os termos da audiência do ministro foram obtidos pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

Pazuello disse à PF que recebeu a informação no dia 10 de janeiro, às 21h

Documento oficial da AGU (Advocacia Geral da União), assinado pelo advogado geral, José Levi, e entregue ao STF (Supremo Tribunal Federal), diz que Pazuello afirmou, inicialmente, que o Ministério da Saúde foi informado sobre a situação no dia 8 de janeiro.

Mas, no depoimento à PF, Pazuello disse que recebeu a informação no dia 10 de janeiro, às 21h.

Segundo o relato à PF, no dia 11, Pazuello convocou uma reunião com todos os secretários municipais de saúde do Amazonas e o secretário estadual para entender a abrangência da falta de oxigênio e avaliar o risco de colapso do sistema de saúde do Estado.

Além disso, no dia 18 de janeiro, o ministro afirmou que foi avisado pela White Martins, fabricante de oxigênio, no dia 8 de janeiro.

“Essa missão voltou no dia 6 com esses dados. 6 de janeiro. No dia 8 de janeiro, nós tivemos a compreensão a partir de uma carta da White Martins de que poderia haver falta de oxigênio, se não houvesse ações pra que a gente mitigasse esse problema”, afirmou Pazuello na ocasião.

À PF, Pazuello disse que o documento da White Martins nunca foi entregue oficialmente ao Ministério da Saúde , e que a empresa nunca realizou contatos informais com representantes do ministério.

No documento da AGU entregue ao STF, o ministro José Levi diz que o Ministério da Saúde soube da situação em 8 de janeiro, por meio de e-mail da fabricante do produto.

“Até então, o Ministério da Saúde não havia sido informado da crítica situação do esvaziamento de estoque de oxigênio em Manaus, ciência que apenas se operou em 8 de janeiro, por meio de e-mail enviado pela empresa fabricante do produto”, afirmou a AGU.

O procurador-geral, Augusto Aras, também relatou, com base em outro documento enviado por Pazuello à procuradoria-geral, que a falta de oxigênio chegou ao conhecimento do Ministério da Saúde no dia 8 de janeiro.

“Tal problema chegou ao conhecimento do ministério no dia 8 de janeiro, por meio de um e-mail enviado por Petrônio Bastos, da White Martins (fabricante do produto)”, escreveu o procurador.

Quando perguntado sobre o relatório do Ministério da Saúde que cita o e-mail da White Martins, Pazuello disse que houve “equívoco” de um servidor que passou informações para a AGU.

O equívoco, segundo Pazuello, deu-se por causa do prazo de 48 horas para dar a resposta ao STF.

A Polícia Federal está ouvindo autoridades locais, funcionários do Ministério da Saúde e de empresas fornecedoras de insumos.

Em nota divulgada na tarde deste sábado (27.fev.2021), o Ministério da Saúde informou que “Eduardo Pazuello teve conhecimento do colapso de oxigênio apenas no dia 11 de janeiro”.

“No dia 8 de janeiro, o ministro recebeu uma ligação do secretário estadual de Saúde do Amazonas solicitando apoio no transporte de cilindros de oxigênio, sem mencionar nenhum colapso”, afirmou o ministério.

Mais tarde, no mesmo dia, a pasta encaminhou uma nova nota na qual disse que, no dia 11 de janeiro pela manhã, o ministro se reuniu com representante da White Martins quando “surgiu a informação que a empresa estava com dificuldades logísticas para garantir o abastecimento de oxigênio”.

Segundo o Ministério da Saúde, foi a partir do dia 11 que “a informação sobre oxigênio chegou com maior clareza”.

A White Martins disse que informou o governo de Manaus e os hospitais na primeira semana de janeiro. No dia 11, foi chamada para uma reunião com Pazuello.

“No dia 10/01, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, convidou os representantes da White Martins, por meio do comitê estadual, para uma reunião em Manaus, na manhã do dia 11/01, para tratar do tema”, informou a empresa.

Poder360

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