Vereadores da capital repercutem mensagens entre juiz e procuradores da Operação Lava Jato

Três vereadores da Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) usaram a tribuna, na sessão ordinária desta terça-feira (11) para repercutir as mensagens atribuídas a procuradores da Operação Lava Jato e ao ex-juiz e atual ministro da Justiça Sérgio Moro, divulgadas pelo site The Intercept, na noite do último domingo (9). Marcos Henriques (PT) e Tibério Limeira (PSB) cobraram ampla investigação sobre a questão. Já a vereadora Eliza Virgínia (PP) atribuiu a situação a crime cibernético.

“Hoje vamos falar sobre o ataque às leis de nosso país. Temos um magistrado que troca figurinhas com o promotor de acusação em uma ação da qual ele é o juiz. Eles falam que não existem provas fortes para condenar o ex-presidente Lula. Essa é uma afronta à Justiça de nosso país. Tudo feito de forma promíscua”, asseverou Marcos Henriques.

Segundo o parlamentar, o então juiz Sérgio Moro trabalhou com a perspectiva de receber o cargo de Ministro da Justiça e, como pano de fundo, para entregar o país ao capital estrangeiro. “Estamos perdendo nossa soberania. Esses bandidos de toga têm o objetivo de compor um governo que vende nosso país. Se dizem patriotas e vendem a Petrobras, com o nosso ouro negro. Um governo eleito por fakenews, que faz política pautada para os grandes empresários. Existe uma mancha negativa em nosso Judiciário”, arguiu.
Para Marcos Henriques, não existem provas ligando os desvios da Petrobras (Operação Lava Jato) ao triplex ou ao Sítio de Atibaia, causas principais da condenação do ex-presidente Lula. “O que está em jogo aqui é a entrega do nosso país. Foi tudo um complô para prender a maior liderança do Brasil”, destacou.
Também da tribuna da CMJP, o vereador Tibério Limeira (PSB) corroborou com toda a fala do colega parlamentar. “Estamos diante de um fato extremamente grave, que fere nosso estado democrático de direito e a segurança jurídica. Precisamos defender as instituições desse país. Estamos diante de um grande escândalo, uma grande fraude na história desse país, que possibilitou a eleição de um desqualificado entreguista. Eles, até agora, nem sequer desmentiram o teor das conversas. O Poder Judiciário precisa se dar ao respeito, precisamos passar o país a limpo”, ressaltou.

Tibério afirmou que, enquanto usavam a espetacularização e o vazamento ilegal de informações para destituir o governo Dilma e processar o ex-presidente Lula, na esteira dos acontecimentos, havia a combinação de atuação e sentença entre o juiz, que julgava, e o Ministério Público, que acusava e investigava a ação. “Juiz que participa de projeto político e de poder para depois ocupar cargo de ministro da Justiça, do presidente que ele militou para eleger. São fatos graves, como juiz falar em limpar o Congresso Nacional, influenciando no processo político do país e interferindo no estado democrático de direito. Não se pode dizer que os fins justificam os meios. Ainda vem muito mais por aí, e precisamos fazer a devida reflexão”, disse.
Divergindo frontalmente dos pronunciamentos dos vereadores Marcos Henriques e Tibério Limeira, a vereadora Eliza Virgínia também usou a tribuna para defender seu ponto de vista sobre a questão. “Esta é uma cortina de fumaça para barrar o pacote anticrime que o ministro Sérgio Moro está propondo para o país. Isso não apaga a condenação de todos da operação Lava Jato, nem as ações do maior movimento de corrupção que já houve em nosso país. Todos estão com medo de serem presos. Não entendo quererem negar toda a corrupção que assolou este país”, argumentou.

 Secom-CMJP - Foto: Olenildo Nascimento

Postar um comentário

0 Comentários