Vaza Paraíba II: grupo que planeja atacar senadores demonstra medo da desembargadora Fátima Bezerra

Após serem revelados pela reportagem exclusiva do Diário da Paraíba na noite da quarta-feira (19), os integrantes do grupo de direita na Paraíba que prepara ataques a políticos paraibanos contrários à política armamentista do presidente Jair Bolsonaro (PSL) demonstraram receio de serem “retaliados” judicialmente e financeiramente.

Eles apontam como maior perigo para eles o nome do senador José Maranhão (MDB), cuja esposa é a desembargadora Maria de Fátima Bezerra Cavalcanti. No grupo direitista há muitos advogados e isso aumenta o medo de receberem uma ação contrária por parte da mulher do senador.

No chat do grupo que utiliza o Whatsaap para arrecadar dinheiro que será investido em outdoors para atacar os políticos paraibanos, um dos integrantes, que vamos chamar de Direitista I (os números telefônicos e os nomes serão omitidos para preservar os direitos de imagem), alerta:

“Como advogado, lembro que um destes senadores tem a esposa como desembargadora do Tribunal de Justiça da Paraíba, e que já foi presidente, digo isso analisando o contexto jurídico desse nobre ato e pensando que não sejamos responsabilizados criminalmente e financeiramente no futuro. Opino que sentemos para debater, até mesmo com outros colegas advogados, para que isso não aconteça. Deixo essa premissa para a análise de todos!”.

Outro integrante do grupo, Direitista II, também faz mais uma ponderação:
“Os senhores não acham que, a partir da exposição da imagem em si e a citação nominal, não se estaria personificando demais aquilo que se defende, que é o direito de defesa? Me entendam. A intenção não é polemizar ou chamar ao debate, mas não ofertar mais ibope àqueles que decidiram contra a vontade da maioria da sociedade brasileira. A propósito, essa personificação pontual deve estar dificultando, inclusive, as empresas aceitarem a publicação dos outdoors, até porque afeta a própria sobrevivência dessas empresas. Ou não? Só para fazermos uma reflexão!”.

Logo em seguida, o próprio Direitista II complementa:
“A última coisa que desejo é ver qualquer um dos senhores, inclusive eu mesmo, envolvidos em querelas jurídicas desagradáveis”.

Todavia, um outro integrante do grupo, o Direitista III, demonstra não ter medo de “peitar” a desembargadora Fátima Bezerra:
“Vocês numa época destas, estão com medo de uma desembargadora? Ora, se o marido dela faz o que quer, por que não fazemos o que achamos correto? Vamos para frente, olhem o Cajuru, o Moro, o Bolsonaro, coragem advogados”.

E acrescenta um integrante que identificamos no grupo como Direitista IV, se referindo à senadora Daniela Ribeiro (PP) e ao senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB):
“Eu votei na Daniela e no Cabeludo. Não voto nunca mais”.

Em seguida, entra outro direitista do grupo, identificado como Direitista V, se referindo aos três senadores paraibanos:
“De fato e ao bem da verdade, eles são mesmo é do PCC... do CV... da Okaida...”.
E volta o Direitista III:
“Eu não entendo, qual realmente o interesse desses senadores de votarem contra? Me expliquem? Fala Maranhão! Fala Veneziano! Fala irmã do Aguinaldo!”, se referindo ao deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP).
E retorna o Direitista V:
“O crime interessa a eles em todas as instâncias e setores e níveis”.
Entenda o caso
Um grupo de direita na Paraíba, que apoia o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e que defende os decretos de liberação das armas, está utilizando o Whatsaap para arrecadar dinheiro que será destinado a atacar, a princípio, as imagens do governador João Azevêdo (PSB), do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e dos três senadores paraibanos: Veneziano Vital do Rêgo (PSB), Daniella Ribeiro (PP) e José Maranhão (MDB).

Eles pretendem espalhar outdoors por João Pessoa e Campina Grande apontando os cinco políticos como “traidores do povo”, “demonstrando nossa insatisfação com a bancada paraibana no Senado”. No endereço do grupo, eles alertam que só deve entrar “quem for contribuir financeiramente”. O fato dos senadores terem votado contra o decreto de Bolsonaro e o governador João Azevêdo ter comemorado o posicionamento do Senado alimentou ainda mais o ódio dos bolsonaristas, que têm em Ricardo Coutinho como um inimigo forte.

De forma exclusiva, a reportagem do Diário da Paraíba conseguiu entrar no grupo e ter acesso a várias informações acerca da manobra em andamento de desqualificação dos políticos paraibanos.
Nas conversas e áudios no chat do grupo, tudo indica que esta movimentação é no país todo, mas, no caso da Paraíba, a coordenação está vindo de Pernambuco, cuja maioria é de caminhoneiros que preparam uma paralisação nacional para o dia 30 de junho em favor do presidente Bolsonaro e contra o Congresso Nacional.

O líder do grupo é Kalebe Lael Costa Dionísio e que se disponibiliza como favorecido nas quatro contas bancárias divulgadas para serem utilizadas na doação, em agências do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Itaú.

Nas conversas no chat, a maioria demonstra ter o cuidado de não defender nenhum partido e zelar pela imagem de Jair Bolsonaro. Um detalhe: nos outdoors e nos posts nas redes sociais que eles pretendem espalhar, o grupo destaca que o posicionamento dos cinco políticos paraibanos faz com que a “bandidagem agradeça”, mostrando meninos negros como assaltantes e com armas na mão.

Diario da Paraiba

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